Você já ouviu alguém falar em "dry" como se fosse um tipo de maconha diferente e ficou sem saber se era planta, extração ou só um nome comercial? A resposta é mais simples do que o mistério em volta dela: dry, ou dry sift, é o tricoma da cannabis separado da flor seca por peneiramento, sem água e sem solvente. É um concentrado mecânico, e entender como ele é separado explica quase tudo sobre a cor, a textura e o comportamento dele no calor.
Neste texto a gente fica no lado técnico: o que é o material, como a malha da peneira define a pureza, como ele se diferencia do kief e do ice, e por que um concentrado desse tipo pede uma câmara própria quando o assunto é vaporização.
O que é o dry, afinal?
A flor de cannabis é coberta por tricomas glandulares, aquelas estruturas minúsculas que parecem cristais de açúcar na superfície da planta. Cada tricoma tem um talo e uma cabeça arredondada, e é na cabeça que se acumula a resina, onde ficam os canabinoides e os terpenos, os compostos aromáticos que dão cheiro e sabor a cada variedade.
O dry é exatamente essa cabeça resinosa, separada do resto da planta. Como a separação é feita a seco, com a flor seca passando por telas, o nome em inglês ficou "dry sift", algo como "peneirado a seco". No Brasil o termo encurtou para "dry", e é por isso que a busca aparece como "dry maconha" ou "maconha dry".
Na prática, o material tem textura que vai de areia fina a pó e cor que varia do loiro-claro ao âmbar, segundo o verbete técnico da Weedmaps. Quanto mais clara e mais fina, em geral, menos fragmento de planta foi junto.

Como a peneira separa o tricoma da planta?
O princípio é mecânico. Fria e seca, a cabeça do tricoma fica quebradiça e se solta do talo com agitação leve. A flor é passada sobre uma sequência de telas finas, e cada tela tem uma abertura medida em mícrons (milésimos de milímetro). O que é menor que o furo atravessa; o que é maior fica em cima.
As telas usadas para dry sift vão de cerca de 220 mícrons, as mais abertas, até 45 mícrons, as mais fechadas, de acordo com a Weedmaps. O Leafly cita 73, 90 e 140 mícrons entre as aberturas mais comuns para separação de resina. Isso quer dizer que o trabalho não é "peneirar uma vez": é passar o material por uma escada de malhas e guardar a fração que ficou retida entre duas delas, onde o tamanho bate com o da cabeça do tricoma.
Uma comparação ajuda a visualizar: é como separar farinha de farelo em casa, só que com furos centenas de vezes menores. A malha mais aberta deixa passar talo e pó de folha junto com a resina; a malha certa segura só a cabeça. É aí que nasce a diferença de pureza.
Uma frase da imprensa policial costuma confundir o leitor ao dizer que o dry passa por "processo químico". Pelo próprio nome e pelo método descrito nas fontes técnicas, é o contrário: o dry sift é justamente a categoria sem solvente, separada só por peneira, frio e agitação.

Todo dry é igual? Os graus de pureza
Não. Como a separação depende da malha e do cuidado no processo, o mesmo nome cobre materiais bem diferentes. A classificação usada no mercado internacional olha para o comportamento no calor, o chamado "melt" (derretimento):
- Full melt: a fração mais pura, quase só cabeça de tricoma. No calor ela derrete por completo e não deixa resíduo carbonizado. É a única que as fontes técnicas recomendam aquecer direto numa superfície quente de concentrado.
- Half melt: derrete parcialmente e deixa um pouco de resíduo, porque ainda carrega talo e partícula de planta. Funciona melhor misturada à erva ou em aparelhos que aceitam material sólido.
- Grau de prensa (cooking grade): a fração com mais material vegetal. Costuma ser destinada à prensa de rosin, que extrai a resina com calor e pressão.
Na prática, isso quer dizer que "dry" sozinho não informa qualidade. O que informa é a cor, a textura e, principalmente, como o material se comporta quando aquece: um dry que borbulha e vira óleo é outro produto em relação a um que escurece e deixa cinza.
Qual a diferença entre dry, kief e ice?
A matéria-prima é a mesma, o tricoma. O que muda é o meio usado para soltá-lo da planta e o grau de seleção:
| Material | Como o tricoma é separado | O que costuma vir junto |
|---|---|---|
| Kief | cai sozinho no fundo do dichavador, pela tela do compartimento | bastante pó de planta, sem seleção de tamanho |
| Dry (dry sift) | peneiramento a seco, em escada de telas de mícrons | pouca planta quando a fração é bem escolhida |
| Ice (ice water hash) | agitação em água com gelo e filtragem em sacos de malha | pouca planta; exige secagem depois |
O kief é, na prática, um dry sem controle: a tela do dichavador tem uma abertura só e deixa passar tudo o que é menor que ela. O dry sift repete o mesmo princípio com várias malhas e seleciona a fração. O ice usa água gelada para deixar a resina ainda mais quebradiça e separar por decantação e filtragem, o que tende a dar uma fração mais limpa, mas acrescenta a etapa de secagem.
A diferença entre dry e ice em detalhe, e o que cada uma muda no vapor, tem a ver com o tema do nosso texto sobre haxixe preto uva, ice e melt, que compara os tipos pelo comportamento na câmara.
Por que o dry pede uma câmara de concentrado?
Porque, depois de separado, o dry deixa de se comportar como erva. A flor dichavada tem estrutura: o ar passa entre os pedaços e o calor extrai os compostos sem derreter o material. O dry é resina quase pura, e resina, quando aquece, amolece, derrete e escorre.
Num vaporizador de erva, isso cria dois problemas conhecidos. A resina derretida gruda na tela e no fundo da câmara, e a faixa de temperatura desses aparelhos costuma parar bem abaixo do que um concentrado pede para vaporizar por completo. O resultado é material desperdiçado e limpeza trabalhosa. A gente já explicou isso com mais calma em por que vaporizadores dedicados a concentrados superam os híbridos.
Uma câmara de concentrado resolve com outra lógica: aquecimento por condução numa superfície de cerâmica ou quartzo, temperaturas mais altas e um prato onde o material derrete sem atravessar tela nenhuma. Por isso a carga é sempre pequena: o material é quase só resina, sem a massa vegetal da flor.
Um aviso, para o seu próprio bem: só o dry de grau full melt é indicado para aquecer direto na câmara de concentrado. Um half melt ou um kief com muita planta queima no prato quente, gera fumaça de combustão e entope o caminho do ar. Nesses casos, misturar a fração impura à erva num vaporizador de ervas é o uso mais coerente.
Qual vaporizador de concentrados usar com dry?
Para dry de bom derretimento, o aparelho certo é um vaporizador de concentrados com câmara própria, temperatura fixa e resfriamento do vapor. Na prateleira da loja, dois da XVape atendem esse perfil pela ficha:
- Daboo, na faixa de R$650 (outubro de 2026), em estoque quando escrevemos. Condução em câmara de cerâmica e vidro, três temperaturas fixas (285, 320 e 360 °C, marcadas por LED azul, verde e vermelho), cerca de 30 segundos para aquecer e um bubbler de vidro que passa o vapor pela água antes da puxada. Isso quer dizer que a temperatura mais baixa já fica acima do teto de muitos vaporizadores de erva (o XMax Ace 2, por exemplo, ajusta até 220 °C), e a água tira a aspereza que o vapor de concentrado costuma ter. O ponto fraco está na ficha: bateria de 650 mAh, de 1 a 2 horas de uso, e temperatura sem ajuste fino.
- Qomo, também na faixa de R$650 (outubro de 2026), em estoque. Condução, três níveis entre 280 e 350 °C, cerca de 10 segundos para aquecer, bateria de 1350 mAh para 10 a 20 sessões e bubbler de vidro. Mais compacto e com o dobro de bateria do Daboo; em troca, um botão só para tudo.
Quem quer mais autonomia tem o Boost Evo da Dr. Dabber, na faixa de R$1.550 (outubro de 2026), com atomizador de quartzo, seis temperaturas e bateria de 3400 mAh para cerca de 35 sessões, segundo a ficha da loja.

Dry sem mistério: o que levar desta leitura
Dry é tricoma, separado da flor por peneira e sem solvente, e a palavra sozinha não diz nada sobre qualidade: quem diz é a malha que selecionou a fração e o jeito como o material derrete no calor. Full melt vai para a câmara de concentrado; o que tem planta junto fica com a erva. Se o seu interesse é entender o vapor de concentrado com o aparelho certo, comece pela categoria de vaporizadores de concentrado, onde estão o Daboo, o Qomo e o Boost Evo com as fichas completas.
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