Todo lançamento chega com a ficha cheia de adjetivo, e o nosso trabalho aqui é o contrário: pegar o XMax Ace 2 da XVape, vaporizador de ervas por condução com botão que esvazia a câmara sozinho, e procurar defeito com lupa. Nem tudo são flores, e a gente vai ser chato de propósito, detalhe por detalhe, para você saber exatamente o que leva para casa.
Um aviso antes de começar, porque review honesto começa pelo que não sabe: o vídeo oficial de lançamento do Ace 2 saiu em outubro de 2026 e ainda não rodamos aqui o nosso teste de bateria cronometrado. Então tudo que tem número neste texto vem da ficha do fabricante (Topgreen, a dona da marca XMax), do vídeo oficial de lançamento, da ficha ao vivo aqui do site ou de testes publicados do Ace original. Onde ninguém publicou o número, a gente diz que ninguém publicou.
O que é o XMax Ace 2 e o que mudou do Ace original?
O Ace 2 é a segunda geração do Ace: aquecimento por condução numa câmara de cerâmica, bateria 18650 removível e o recurso que deu fama à linha, a ejeção da câmara (o fabricante chama de quick clean). Você empurra um botão deslizante na lateral, a base do forno sobe e a erva usada sai de uma vez, sem palito e sem raspar. Serve para erva seca e, com a cápsula de dosagem que vem na caixa, para concentrado.

Comparando a ficha da Topgreen do Ace original com a do Ace 2, lado a lado, o que mudou foi isto:
| Item | Ace original | Ace 2 |
|---|---|---|
| Carga | Micro USB | USB-C |
| Bateria | 18650, 2600 mAh | 18650, 2550 mAh |
| Faixa ajustável | 100 a 240 °C | 100 a 220 °C |
| Boost (dois cliques) | 255 °C | 255 °C |
| Tela | OLED | OLED colorida, maior |
| Carregador indicado | 5 V / 1 A | 5 V / 1 A |
| Bocal | zircônia, giratório | plástico de grau alimentício, giratório 360°, magnético |
| Resfriamento | pelo bocal de zircônia | caixa de resfriamento em zircônia antes do bocal |
Repare em duas linhas que a propaganda não destaca. A bateria ficou 50 mAh menor, o que na prática é empate técnico. E a faixa ajustável encolheu de 240 para 220 °C: entre 221 e 254 °C não existe ajuste, você está no máximo manual ou no Boost cravado em 255 °C.

Quanto esquenta o Ace 2, e por que não dá para confiar cegamente no display?
A temperatura se ajusta pelos botões de mais e menos, e o liga e desliga é com três cliques no botão de energia. O modo de aquecimento listado pelo fabricante é só o session, aquele que esquenta e segura a temperatura durante a sessão inteira. Ao contrário do V4 Pro, que tem session e on demand, o Ace 2 não lista modo de aquecer só na puxada.
Tempo até a temperatura? A Topgreen não publica, nem a ficha aqui do site. O dado mais próximo é do Ace original, que testes publicados medem em cerca de 20 segundos. Isso quer dizer que, se o Ace 2 repetir o original, você não fica esperando como num aparelho de mesa, mas não dá para prometer o número antes de cronometrar.
Agora o ponto mais chato, e o mais importante. O sensor da linha Ace mede a temperatura na parede da câmara, não no meio da erva, e a ficha aqui do site já avisa que a temperatura real dentro do forno tende a ficar abaixo do número na tela. No Ace original, um teste britânico publicado em 2026 mediu essa diferença em 20 a 25 °C: a tela marcava 210 °C e a erva estava perto de 190 °C. Ninguém publicou ainda essa medição para o Ace 2. Isso quer dizer que, até alguém medir, trate o display como ponto de partida e calibre pelo sabor, não pelo número.
E o Boost? Ele é o único jeito de passar dos 220 °C. Com dois cliques no botão de energia, o forno vai para 255 °C, faixa que serve para concentrado na cápsula de dosagem e para extrair o resto de uma carga. Para erva, o mesmo teste do Ace original diz sem rodeio que 255 °C é quente demais e recomenda ficar abaixo de 240 °C se você não quer gosto de carvão. A gente assina embaixo: com erva, o Boost é para o fim da sessão, nunca para o começo.
Sabor e fluxo de ar em cada faixa de temperatura
A câmara é de cerâmica preta esmaltada, material que não passa gosto para a erva, e o caminho do ar é isolado da parte elétrica, segundo o fabricante. Esse isolamento é o que evita aquele gosto de bateria que a gente já destrinchou em por que alguns vaporizadores têm gosto de bateria.
Por faixa, juntando a ficha aqui do site e o teste do Ace original (já descontando o display que exagera):
- Até uns 190 °C na tela: sabor limpo, vapor discreto. É a faixa dos terpenos mais leves, a que entrega o cheiro da erva quase como ela está no pote.
- De 200 a 220 °C: o vapor encorpa e o sabor fica mais tostado, mais de erva do que de fruta. É onde a maioria das sessões de condução vai morar.
- Boost, 255 °C: nuvem densa e risco real de pipoca queimada na erva. Concentrado, sim; flor, só no finzinho.
Um detalhe que pesa aqui: a ficha da loja fala em nuvens mais volumosas a partir de 230 °C, mas com o ajuste manual parando em 220 °C, essa faixa no Ace 2 só existe no Boost.
O fluxo de ar, pela ficha, é livre, com puxada leve mesmo nas tragadas longas, e não tem regulagem. Isso quer dizer que quem gosta de puxada mais apertada, tipo cigarro, não tem onde mexer. Quem vem do baseado e quer puxar solto vai se sentir em casa.
Sobre flor × prensado: por ser condução, a extração depende do contato da erva com a parede, e a própria ficha recomenda carregar a câmara de forma mais compacta. Flor bem dichavada, em moagem média, rende bem assim. Prensado seco e esfarelado tende a entregar menos vapor em qualquer vaporizador, e aqui não é diferente.
Quanto dura a bateria 18650 e quanto demora a carga no USB-C?
A bateria é uma 18650 de 2550 mAh, removível e de padrão aberto. Isso quer dizer que, quando ela cansar daqui a uns anos, você troca a célula e não o aparelho, e quem quer sessão longa leva uma reserva no bolso, com capinha: a ficha pede para nunca levar a bateria solta junto de chave ou moeda. As células avulsas ficam na categoria de bateria 18650.
Quantas sessões por carga? O fabricante não publica. No Ace original, com 2600 mAh, o teste publicado chegou a cerca de 10 sessões e 75 minutos de uso contínuo. Com uma bateria quase igual, é razoável esperar algo parecido, mas é estimativa nossa, não número medido no Ace 2.
A carga melhorou de verdade: saiu o Micro USB, que o teste do Ace original chamou de erro em 2026, e entrou o USB-C. O carregador indicado continua 5 V / 1 A, o mesmo de um carregador de celular antigo. No original, isso dava de 2 a 3 horas de recarga. Para seu próprio bem, fique nos 5 V / 1 A do fabricante e não use carregador turbo, como a gente recomenda para qualquer vaporizador; quem tem pressa carrega a célula fora, num carregador de 18650.
O botão de ejeção limpa a câmara ou só esvazia?
O quick clean é o motivo de existir do Ace, e o fabricante diz que o mecanismo foi refinado no Ace 2. Ainda ninguém publicou teste de longo prazo dessa versão nova, então o que dá para cobrar vem do original.
No Ace original, o teste britânico mostrou duas coisas. A ejeção funciona: um empurrão e a erva usada cai inteira, e um empurrão parcial no meio da sessão serve para mexer a carga, o que ajuda muito na condução. Mas ela esvazia a câmara, não limpa: com erva resinosa, as telinhas entupiram depois de duas sessões e precisaram de banho de álcool isopropílico. A rotina sugerida foi limpar as telas a cada 3 a 5 sessões e deixar o bocal de molho uma vez por semana. O teste também levantou a dúvida de durabilidade de uma mola trabalhando no meio de calor e resina, e essa dúvida continua aberta no Ace 2 até alguém usar por meses.
A capacidade da câmara do Ace 2 não está na ficha do fabricante. No Ace original, o teste publicado carregou cerca de 0,35 g por sessão; para o Ace 2, esse número ainda não existe.
Para o resto da manutenção, o guia de limpeza e manutenção do vaporizador vale aqui também.

Bocal, materiais, app e o que vem na caixa
Corpo maior e mais encorpado que o Ace original, tampa superior de metal e bocal de plástico de grau alimentício que gira para fora na hora de usar e se recolhe para guardar, com encaixe magnético para tirar e limpar sem rosca. O vídeo do fabricante fala em giro de 360°.
Aqui vai um ponto de chato: no Ace original o bocal era de zircônia; no Ace 2 a zircônia foi para dentro, numa caixa de resfriamento antes do bocal, e o que encosta na boca passou a ser plástico. O resfriamento do vapor deve ganhar com o caminho mais longo, mas quem tem fetiche por vidro ou cerâmica na boca vai sentir falta. No original, o teste ainda apontou que a borracha da tampa do bocal deixava um fundo de gosto; no Ace 2, ainda não há teste dizendo se isso mudou.
App não tem. O controle é todo por botão: energia texturizado, mais e menos separados e a tela OLED colorida. Para quem não aguenta mais pareamento de Bluetooth, isso é qualidade, não defeito.
Na caixa, segundo a ficha aqui do site: o vaporizador, cápsula de dosagem, cabo USB-C, o-rings sobressalentes, escova de limpeza, 3 cotonetes e 4 lenços com álcool. Bateria extra e carregador de tomada não vêm.
E um cuidado que a gente faz questão de repetir: a linha XMax é muito falsificada, e a embalagem traz um selo raspadinha com QR code para conferir a autenticidade com a Topgreen. Confira na hora que chegar.
O que nos incomodou
- A faixa ajustável encolheu. De 240 °C no original para 220 °C no Ace 2, com um buraco até o Boost de 255 °C.
- O display exagera. Na linha Ace o sensor lê a parede da câmara; no original a diferença medida foi de 20 a 25 °C.
- Faltam números básicos na ficha do fabricante: tempo de aquecimento, capacidade da câmara, peso, medidas e sessões por carga.
- Bocal de plástico onde antes era zircônia.
- Fluxo de ar sem regulagem e só modo session.
- A ejeção não limpa as telinhas, pelo menos no original; com erva resinosa, a manutenção continua.
- Preço encostado no V4 Pro. Na ficha aqui do site, o V4 Pro tem convecção pura, a mesma bateria 18650 de 2550 mAh, a mesma faixa de 100 a 220 °C e bocal de vidro, e custa praticamente o mesmo.
Para quem é e para quem não é o Ace 2
O Ace 2 faz sentido para quem tem preguiça de limpar câmara e usa o vaporizador todo dia, para quem quer bateria que se troca e para quem alterna erva e concentrado na cápsula de dosagem e quer o Boost de 255 °C para isso. Aqui no site, o XMax Ace 2 fica na faixa de R$1.150 (outubro de 2026), em estoque quando escrevemos, e ainda sem nenhuma avaliação de cliente na ficha, porque acabou de chegar.
Não é para quem:
- Persegue sabor acima de tudo. Aí o caminho é convecção: o V4 Pro, na faixa de R$1.200 (outubro de 2026), em estoque. A gente comparou ele com o antecessor em V3 Pro vs V4 Pro.
- Quer gastar menos e aceita raspar a câmara. O Starry 4 também é condução, também usa 18650 de 2550 mAh removível com USB-C e ajusta de 100 a 240 °C. Fica na faixa de R$850 (outubro de 2026), em estoque. A diferença é o botão de ejeção. O review completo está em review do Starry 4.
- Precisa de número garantido de bateria e aquecimento antes de comprar. Esses números do Ace 2 ainda não foram publicados.
Se a dúvida é entre os três da XVape, a gente colocou lado a lado no comparativo Starry 4 vs V4 Pro vs Ace 2.
Vale o Ace 2 em outubro de 2026?
Vale para um perfil só, e ele é claro: quem usa condução todo dia e odeia a parte de cavar a erva usada. O USB-C corrigiu o maior erro do original, a tela melhorou e a ejeção segue sendo o trunfo da linha. Em troca, você aceita uma faixa manual menor, um display que precisa de calibragem pelo sabor e um preço que encosta num aparelho de convecção. Se o seu problema é limpeza, o XMax Ace 2 resolve; se o seu problema é sabor, a linha XVape tem opção melhor para você.
Chato, mas justo.
Leia também 🔎:- Starry 4 vs V4 Pro vs Ace 2: qual XVape escolher- Review do Starry 4- V3 Pro vs V4 Pro: o melhor custo-benefício- Top 5 vaporizadores de ervas fáceis de limpar





Starry 4, V4 Pro ou Ace 2: qual XVape escolher
Comparativo: Starry 4 vs V3 Pro / XVAPE
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