Você já viu a palavra "dab" num vídeo, num fórum ou na descrição de um vaporizador e ficou sem saber se era um produto, um aparelho ou um jeito de usar. É um jeito de usar, e o detalhe que separa um dab bem feito de um dab que só queima material caro tem nome e número: temperatura. Neste guia nós explicamos o termo, os concentrados que entram nele, o equipamento tradicional e o motivo de o vaporizador de concentrados ter tomado o lugar do maçarico.
O que é dab e de onde vem o nome?
Dab é a vaporização de uma pequena porção de concentrado de cannabis sobre uma superfície já aquecida. A palavra vem do inglês dab, que quer dizer "uma pitada", "um toque", e descreve exatamente a quantidade: uma porção pequena, aplicada de uma vez. O ato ganhou o nome de dabbing, e em português ficou "dab", "dar um dab" ou "dabar".
A diferença para a vaporização de erva está no material. Na erva, o calor precisa atravessar a matéria vegetal para liberar canabinoides e terpenos dos tricomas. No concentrado, essa matéria vegetal já foi separada, e o que sobra é praticamente só a resina. Por isso o dab trabalha numa faixa de temperatura mais alta que a de um vaporizador de erva e entrega o vapor em poucos segundos, sem combustão quando a temperatura está certa.
Um esclarecimento de vocabulário: "dab" também é nome de dança e de personagem de anime, e é por isso que a busca mistura tudo. Aqui o assunto é só um: concentrado de maconha e vaporização.
Quais concentrados entram num dab?
Concentrado é o nome geral para o extrato que reúne a resina da planta, separada da folha e da flor. Ele pode ser obtido por extração por solvente (butano, propano, etanol, CO₂) ou por extração sem solvente, com água gelada, peneira, pressão e calor. Nós não ensinamos extração com solvente em casa, e o motivo é simples: gás inflamável em ambiente fechado é risco de explosão, e é por isso que esse processo é feito em laboratório com equipamento de circuito fechado.
O que você encontra com mais frequência, pela textura:
- Shatter: lâmina vítrea e quebradiça, cor de âmbar.
- Wax e budder: consistência de cera ou de manteiga, opaca.
- Crumble: seco e esfarelado, que se desmancha entre os dedos.
- Live resin: extraído de planta congelada logo depois da colheita, para preservar terpenos. O congelamento que torna isso possível é o tema do nosso texto sobre fresh frozen e por que ele preserva terpenos.
- Rosin: extração sem solvente, só com calor e pressão.
- Haxixe, dry e ice: concentrados de tricomas separados mecanicamente. O dry, peneirado a seco, tem explicação própria em o que é dry.

A textura muda o manuseio, não o princípio. Shatter e crumble se pegam com a ferramenta de carregar; wax e budder grudam e pedem uma ferramenta de ponta chata. O que todos têm em comum é que precisam de uma superfície quente para vaporizar, e é aí que entra o equipamento.
Como funciona o dab: rig, prego, carb cap e e-nail
O dab tradicional usa um dab rig, que é um bong pequeno de vidro feito para concentrado, com quatro peças que vale conhecer pelo nome:
- Prego (nail ou banger): a superfície que aquece, em geral de quartzo, encaixada no lugar onde o bong teria o fornilho. É nele que o concentrado vaporiza.
- Maçarico: aquece o prego por fora até ele ficar muito quente; depois se espera esfriar até a faixa desejada, contando os segundos.
- Carb cap: uma tampa que vai sobre o prego. Ela segura o calor perto do concentrado e controla a entrada de ar, o que permite vaporizar numa temperatura menor.
- Água: a base do rig tem água, que resfria o vapor antes da inalação.
O ponto fraco desse método é o controle. Com maçarico, você nunca sabe a temperatura exata do prego: depende do tamanho da chama, do tempo de aquecimento, da espessura do quartzo e de quantos segundos você esperou. É um processo que funciona por tentativa e erro.
O e-nail resolveu isso com uma resistência elétrica em volta do prego e um controlador digital que mantém a temperatura escolhida. O passo seguinte foi colocar a mesma lógica dentro de um aparelho portátil: o vaporizador de concentrados, com câmara de quartzo ou cerâmica, bateria e temperaturas predefinidas. Para a maior parte das pessoas, é o caminho mais seguro e mais repetível. Nós explicamos por que esses aparelhos dedicados funcionam melhor que os híbridos em vaporizadores dedicados a concentrados.
Qual a temperatura certa do dab, e por que ela importa?
Concentrado é feito de dois grupos de substâncias que reagem de forma diferente ao calor. Os terpenos, responsáveis pelo aroma e pelo sabor, são voláteis e vaporizam primeiro. Os canabinoides precisam de mais calor. O desafio do dab é vaporizar os canabinoides sem degradar os terpenos.
Quando a superfície passa muito do necessário, o terpeno não só vaporiza: ele se decompõe. Um estudo publicado em 2017 na revista ACS Omega ("Toxicant Formation in Dabbing: The Terpene Story", de Meehan-Atrash e Strongin, da Portland State University) aqueceu terpenos em condições de dab. Os autores encontraram metacroleína, um irritante, em todas as temperaturas capazes de vaporizar canabinoides, com níveis mais altos nas temperaturas elevadas comuns no uso com maçarico, e benzeno nessas mesmas condições. Os próprios autores apontam a dificuldade de controlar a temperatura do prego como a origem do risco. Isso quer dizer que o "dab no talo", com o quartzo em brasa, é a pior escolha tanto para o sabor quanto para o que você inala.

Na prática, os vaporizadores de concentrados que vendemos trabalham em faixas bem definidas, todas com o número na ficha:
- Ghost, da Dr. Dabber: de 287 a 343 °C (550 a 650 °F).
- Qomo, da XVape: três níveis predefinidos, de 280 a 350 °C.
- Daboo, da XVape: três níveis com cor no LED: 285 °C (azul), 320 °C (verde) e 360 °C (vermelho).
- Boost Evo, da Dr. Dabber: seis níveis de 500 a 750 °F, que equivalem a cerca de 260 a 399 °C.
A regra que nós seguimos e recomendamos: comece pelo nível mais baixo do aparelho. O sabor fica mais limpo, o vapor sai menos áspero e o concentrado rende mais sessões. Suba um nível só se o vapor estiver fraco demais. O nível mais alto serve para aproveitar o resto da câmara no fim da sessão, não para começar.
Erros comuns e cuidados no dab
Para seu próprio bem, nunca use o maçarico dentro de casa perto de tecido, papel ou gás, e nunca segure o prego ou a câmara logo depois do uso: quartzo e cerâmica guardam o calor por minutos. Os outros erros que mais vemos:
- Carregar demais. Dab é uma porção pequena, do tamanho de um grão de arroz. Câmara cheia vaporiza mal, suja a bobina e desperdiça material.
- Começar pela temperatura mais alta. É o erro que mais estraga sabor, pelo motivo da seção anterior.
- Usar vaporizador de erva para concentrado sem acessório próprio. Concentrado derretido escorre pela tela e entope o caminho do ar. Se o seu aparelho é de erva, veja antes como usar concentrados sem almofada de concentrados.
- Não limpar a câmara. Resíduo carbonizado deixa gosto amargo na sessão seguinte. Um cotonete com álcool isopropílico na câmara ainda morna, com o aparelho desligado, resolve a maior parte.
- Comprar concentrado sem procedência. Extração com solvente feita sem controle pode deixar resíduo do solvente no produto final, e isso não se resolve com nenhum aparelho.
Uma ressalva que vale para qualquer forma de inalação: concentrado é um material muito mais forte que a flor, e nada neste texto é recomendação de uso. Se você tem doença respiratória ou usa medicamento contínuo, converse com um médico antes.
Vaporizador de concentrados: o dab com temperatura controlada
Se a temperatura é o que decide o resultado, o aparelho certo é o que fixa a temperatura sem depender do seu olho. É o que um vaporizador de concentrados faz: câmara de quartzo ou cerâmica, resistência elétrica com níveis predefinidos e, nos modelos com água, resfriamento do vapor. Todos os preços abaixo são faixas da ficha aqui do site em outubro de 2026, e os quatro estavam em estoque quando escrevemos.
O Qomo, da XVape, é o mais compacto com água: bubbler de vidro embutido, bateria de 1350 mAh com 10 a 20 sessões por carga, aquecimento em cerca de 10 segundos e câmara de cerâmica e vidro. Fica na faixa de R$650 (outubro de 2026).
O Daboo, da XVape, segue a mesma ideia de bubbler de vidro embutido num corpo de metal maior, com os três níveis de 285, 320 e 360 °C, aquecimento em cerca de 30 segundos e 1 a 2 horas de autonomia. Fica na faixa de R$650 (outubro de 2026), e o review completo dele está em review do Daboo.

O Boost Evo, da Dr. Dabber, é o mais próximo de um rig com e-nail: caminho do vapor todo em quartzo e vidro, sensor de temperatura no elemento de aquecimento para manter o nível escolhido, seis níveis, aquecimento em cerca de 11 segundos e bateria de 3400 mAh com até 60 sessões por carga, segundo a ficha. Fica na faixa de R$1.550 (outubro de 2026). O ponto contra é o tamanho: quase 20 cm de altura, é um aparelho de mesa que viaja, não de bolso.

Para quem quer o formato de caneta, a Ghost, da Dr. Dabber, trabalha de 287 a 343 °C, aceita cartucho de rosca 510 e faz até 50 ciclos por carga. Fica na faixa de R$300 (outubro de 2026). Não tem água nem tela, e a ficha não informa o tempo de aquecimento nem a capacidade da bateria.
Resumindo, do nosso jeito
Dab é vaporizar uma porção pequena de concentrado numa superfície quente, e a qualidade dele depende de um número só: a temperatura. Prego em brasa queima terpeno e piora o que você inala; temperatura controlada preserva o sabor e rende mais. Por isso nós indicamos o vaporizador de concentrados no lugar do maçarico. Se você quer água e bolso, o caminho é o Qomo ou o Daboo; se quer a experiência mais próxima do rig, o Boost Evo. Todos estão na categoria de vaporizadores de concentrado.
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