Você já leu THC, CBD e CBN na mesma frase e ficou sem saber se são três coisas diferentes ou três nomes para a mesma coisa? São compostos diferentes, da mesma família, e a diferença entre eles vai além da sigla: cada um tem uma estrutura, uma origem na planta e um comportamento diante do calor. Neste texto a gente monta o mapa dos principais canabinoides e explica por que isso importa para quem regula a temperatura de um vaporizador.
Afinal, o que são canabinoides?
Canabinoides são um grupo de compostos químicos de várias classes estruturais. O nome vem da Cannabis, onde eles foram descritos primeiro, e hoje a palavra cobre três grupos: os fitocanabinoides, produzidos pela planta; os endocanabinoides, produzidos pelo próprio organismo humano; e os canabinoides sintéticos, feitos em laboratório. Quando alguém fala de canabinoide da erva, está falando do primeiro grupo.
Já foram isolados pelo menos 113 fitocanabinoides diferentes da cannabis. A maior parte aparece em quantidade mínima, e só um punhado responde pela composição de uma flor comum. Eles se concentram numa resina viscosa produzida pelos tricomas glandulares, aquelas pequenas glândulas que dão à flor seca a aparência de geada. Os tricomas glandulares também secretam terpenoides, a família dos terpenos, os compostos de aroma e sabor.

Quais são os principais canabinoides e o que muda entre eles?
O mapa abaixo resume os seis nomes que mais aparecem em rótulo, laudo e conversa. A gente descreve o que cada um é, sem entrar em efeito terapêutico, que depende de estudo clínico e não de texto de blog.
- THC (tetra-hidrocanabinol). O principal componente psicoativo da planta. Na flor fresca ele está quase todo na forma ácida, o THCA. O nosso texto sobre o que é THC aprofunda a molécula.
- CBD (canabidiol). Tem estrutura parecida com a do THC, mas não produz a mesma psicoatividade e não aparenta ter efeito intoxicante. Também nasce na forma ácida, o CBDA.
- CBG (canabigerol). É a forma neutra do CBGA, o ácido que funciona como molécula-mãe dos outros. Como a planta converte quase todo o CBGA em outros compostos durante o crescimento, sobra cerca de 1% de CBG na flor pronta, salvo em variedades selecionadas para isso.
- CBN (canabinol). Aparece principalmente em erva guardada há muito tempo, porque nasce da oxidação do THC com calor, oxigênio e luz. Isso quer dizer que uma flor mal armazenada perde THC e ganha CBN com os meses.
- CBC (canabicromeno). Um canabinoide menor, sem efeito psicotrópico descrito, que também vem do CBGA por uma enzima própria.
- THCV (tetra-hidrocanabivarina). Uma variante "varina": a cadeia lateral da molécula tem 3 carbonos em vez dos 5 do THC. É um parente estrutural, não o mesmo composto.
Se a sua dúvida é por que o cânhamo industrial tem tanto CBD e tão pouco THC, o texto sobre cânhamo e a diferença para a maconha mostra como a seleção de variedades mexe nessa proporção.
Por que a planta guarda os canabinoides na forma ácida?
Porque é assim que a biossíntese funciona. A planta produz o CBGA e, a partir dele, enzimas diferentes, as sintases, montam o THCA, o CBDA e o CBCA. Esses ácidos carregam um grupo carboxila (COOH) a mais na molécula, e é essa forma que predomina na flor seca que ninguém aqueceu.
Para virar THC, CBD ou CBC, o ácido precisa perder esse grupo, e a reação se chama descarboxilação. Ela acontece com calor, com luz ou em meio alcalino, e também devagar, com o tempo de armazenamento. No vaporizador, o calor da câmara faz essa conversão durante a própria sessão. O nosso texto sobre descarboxilação e por que o AVB já vem ativado explica a reação com calma e mostra o que acontece com a erva depois de vaporizada.

Cada canabinoide vaporiza numa temperatura diferente?
Em parte, sim, e aqui a internet costuma simplificar demais. Circulam tabelas com um "ponto de vaporização" para cada canabinoide, como se bastasse girar o botão até o número certo para extrair um só composto. Os números de referência existem: o ponto de ebulição publicado para o THC é de 155 a 157 °C, mas medido a 0,05 mmHg, uma pressão perto do vácuo, e o do CBD aparece como 160 a 180 °C em fonte que a própria referência marca como pouco confiável. Para o CBN e o CBG, as fichas químicas abertas que consultamos nem trazem ponto de ebulição.
Isso quer dizer que a câmara do vaporizador, na pressão normal do ambiente, não separa os canabinoides um por um como um destilador. O que a temperatura faz é mudar a proporção: em faixa baixa saem primeiro os terpenos e uma fração menor dos canabinoides, e conforme a câmara esquenta, mais canabinoide passa para o vapor. Um levantamento citado na literatura sobre vaporizadores encontrou eficiência de entrega mais alta perto de 226 °C e cerca de metade disso entre 150 e 180 °C.
O guia de temperaturas da loja divide a erva seca em três faixas: 160 a 180 °C para quem prioriza sabor, 180 a 200 °C como faixa mais usada e 200 a 220 °C para vapor mais denso, com sabor mais forte. Todas ficam abaixo da combustão da cannabis, que fica em torno de 230 a 315 °C. É essa margem que separa vapor de fumaça, e por isso o controle fino de temperatura importa mais do que decorar tabela.

E a erva que já saiu do vaporizador, ainda tem canabinoide?
Tem uma parte. Como a temperatura muda a proporção e não esvazia a erva de uma vez, sobra canabinoide na carga, principalmente depois de sessões em faixa baixa. Essa sobra já passou pelo calor da câmara, e é por isso que a erva já vaporizada, o AVB, sai descarboxilada. O texto de descarboxilação linkado acima fala desse resíduo.
Que vaporizador deixa você controlar a temperatura grau a grau?
Para aproveitar essa escala, o aparelho precisa deixar você escolher o número, e não só três ou quatro níveis fixos.

O Starry 4.0 da XMAX faz isso: a ficha informa faixa de 100 a 240 °C, temperatura ajustável com precisão, sem predefinições, aquecimento por condução e câmara de 0,5 g de erva dichavada. A própria ficha sugere começar entre 160 e 180 °C, que é a faixa baixa do guia. Ele estava em estoque em 27 de outubro de 2026, na faixa de R$850 (outubro de 2026).
O lado menos bom: em condução, a erva encostada na parede da câmara aquece antes do miolo, então mexer a carga no meio da sessão ajuda a vaporizar por igual. E a garantia é de 90 dias a partir do recebimento, conforme a ficha. Se você quer comparar com outros modelos, a categoria de vaporizadores de ervas portáteis reúne os que estão na loja, e o guia de vaporização para iniciantes explica a diferença entre condução e convecção.
Para fechar, o mapa cabe numa frase
Canabinoide é uma família de compostos que a planta fabrica na forma ácida, a partir do CBGA, e guarda nos tricomas. O calor tira o grupo ácido, o tempo e a luz transformam THC em CBN, e a temperatura do vaporizador decide quanto de cada um passa para o vapor, sem separar um do outro como mágica. Saber disso ajuda a escolher a faixa de temperatura com critério. Este texto é informativo, não traz recomendação de uso nem de saúde, e a cannabis segue a legislação brasileira. Se o seu aparelho não deixa escolher o grau, os modelos com ajuste fino estão na categoria de vaporizadores de ervas portáteis.
Leia também 🔎:- O que é THC (tetra-hidrocanabinol)- Descarboxilação: o que é e por que o AVB já vem ativado- Cânhamo: o que é e qual a diferença para a maconha



Descarboxilação: o que é e por que a erva que sai do vaporizador já vem ativada
O que é THC? A molécula, o THCA e o papel da temperatura
Top 3 vaporizadores de ervas com fluxo de ar ajustável